* Ilimar Franco
O líder do governo no
Senado, Delcídio do Amaral (PT), assinou a sentença de condenação e de prisão de
todos os envolvidos no escândalo da Petrobras. As decisões de um juiz de
primeira instância, Sérgio Moro, dificilmente serão revisadas por qualquer
tribunal.
Isso vale para o Tribunal
Regional Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.
A partir de agora, o debate judicial e a busca de brechas para anular a
Operação Lava-Jato caem por terra.
Os diálogos gravados
citando nomes de ministros do STF expõem os magistrados e os colocam na
desconfortável situação de quem ficará exposto se conceder um habeas corpus ou
anular alguma prova. Ainda mais quando o senador Delcídio diz que uma gama de
políticos será acionada para fazer gestões junto a este e àquele ministro do
STF.
Será que o STJ, depois da
presente tentativa de obstrução da Justiça, terá peito de colocar em prisão
domiciliar (com tornozeleira eletrônica) o presidente da Andrade Gutierrez,
Otávio de Azevedo?
Foi o que ocorreu por ocasião
do julgamento do recebimento da denúncia no caso do mensalão. Era agosto de
2007, e O Globo mostrara tentativa de ministros de combinar votos que poderiam
levar à rejeição da acusação contra alguns dos acusados.
Delcídio passa a mesma
imagem agora. Ele afirma que vai comprar Nestor Cerveró, ex-diretor da
Petrobras, para que ele mude ou anule o teor de sua delação premiada. Diz que
vai procurar vários ministros do STF para combinar com eles o cambalacho. Cita
os ministros que seriam procurados e seriam sensíveis aos argumentos dos quais
era porta-voz. Planeja a distribuição de tarefas, entre os políticos, para
abordar os ministros da mais alta Corte do país.
A Justiça foi
constrangida. Isso, à luz da experiência passada, não favorece os réus.
Tribunais, ministros e juízes não querem que o mundo caia sobre suas cabeças.
* Ilimar Franco, jornalista, é colunista de política do jornal O Globo
* Ilimar Franco, jornalista, é colunista de política do jornal O Globo
