Folha Online
Preso por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) por tentar obstruir investigações, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) se tornou a 37ª pessoa com foro privilegiado a ser investigada na Lava Jato.
A primeira prisão de um senador no exercício do cargo desde a redemocratização, em 1985, lançou luz sobre o que ainda poderá ser revelado na Lava-Jato sobre políticos suspeitos de participação no esquema de corrupção na Petrobras.
A depender das provas que chegam do exterior, a investigação pode crescer, pois a teia da Lava-Jato apenas começa a avançar sobre os políticos que têm direito a responder no STF aos indícios de crimes.
Segundo o secretário de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, Vladimir Aras, os pedidos de cooperação internacional envolvendo investigados com foro privilegiado ainda estão no início –foram cerca de cinco até o momento.
"Tem muita coisa ainda. Esses pedidos (de cooperação internacional) tendem a aumentar. A Procuradoria Geral da República está começando a fazer os primeiros pedidos", disse o procurador regional da República.
"Muita coisa se aproveita do que já veio [do exterior após pedidos feitos pela força-tarefa da operação em Curitiba], mas as investigações de foro que podem se desdobrar em investigações transnacionais estão começando agora. Isso sobre a parte que está em Brasília, e sem prejuízo da continuidade do caso em Curitiba", completou Aras.
BRAÇO EXTERNO
As informações que chegam do exterior têm sido um dos principais pilares da Lava-Jato, sobretudo na obtenção de provas, bloqueio e repatriação de recursos desviados dos cofres públicos. Foram 85 pedidos feitos pela força-tarefa a 28 países, R$ 402 milhões de recursos retornados ao país e outros R$ 943 milhões bloqueados no exterior ligados ao caso.
"A Lava-Jato não existiria como ela é hoje sem cooperação internacional. Seria impossível, por exemplo, provar o encadeamento de condutas de vários ex-diretores da Petrobras e ter repatriado esses valores que já voltaram ao erário", afirmou Aras, em conversa com a BBC Brasil antes da prisão do senador.
Documentos enviados aos investigadores da Lava-Jato pela Suíça ajudaram, por exemplo, a revelar a estrutura que abastecia os quatro núcleos de corrupção na Petrobras: político, empresarial, administrativo (agentes públicos) e financeiro (operadores e lobistas).
